<body>

Internet e Literatura

domingo, 19 de agosto de 2007 por Beatriz Jucá

 


O fim dos livros impressos?


Com a democratização da Internet, a divulgação de autores e a publicação das obras foram facilitadas, alcançando um raio cada vez maior de leitores. Foi constatada também uma maior liberdade de expressão, visto que qualquer pessoa pode ter a sua própria página na web. A troca de conhecimento e informações via internet foi tão popularizada que levantou discussões como uma possível extinção de jornais impressos e livros.

Não se pode negar que a Internet serve como vitrine para as obras e facilita a ampliação de contatos e leitores. Entretanto, seria ela capaz de substituir as edições impressas e assim revolucionar a distribuição da literatura tradicional?

Durante a história da humanidade, a comunicação adquiriu várias formas. Primeiro, a forma oral. Depois, foi evoluindo e ganhando novos suportes, como papiro, pedra, pergaminho, papel e, agora, a tela do computador. Considerando essa evolução, os novos suportes substituíram os antigos devido às facilidades, praticidades e conforto que proporcionaram às pessoas.

No caso da tela do computador, há muito que se questionar em relação a essas facilidades, uma vez que a internet exige textos mais rápidos e objetivos por ser uma mídia mais cansativa ao sentido visual. Além disso, não existem formas eficazes de lucros através de sites, blogs e e-books (versão de livros digitalizados).

Assim como a tevê não acabou com o rádio, o vídeo game não acabou com o futebol de rua, o DVD não acabou com o cinema e o rádio não acabou com o jornal impresso, por que a internet haverá de acabar com os livros? É preciso considerar os interesses dos leitores, aqueles que se importam apenas com o conteúdo e os que fazem questão de ter a edição impressa para constar que livros e e-books poderão não só conviver, bem como se complementar.

Marcadores: ,

::comente:: |

Literatura de auto-ajuda

domingo, 29 de julho de 2007 por Beatriz Jucá

 

Busca pela solução dos problemas ou um achado comercial?

Os títulos mais vendidos nas livrarias de hoje são os relacionados à auto-ajuda. Trata-se de livros que vendem ao leitor a idéia de que ele será bem sucedido, basta que obedeça algumas regras básicas. O sucesso desse tipo de literatura é bastante questionado, visto que se sustenta em torno do intenso individualismo na sociedade moderna e da falta de acompanhamento crítico em seus conteúdos.

Revelando um objetivo predominantemente mercadológico, os livros de auto-ajuda são escritos em forma de romances ou simples aconselhamentos. Baseiam-se na elevação do ego dos leitores, embevecidos por uma suposta facilidade de compreensão do mundo.

O mais antigo exemplo dessa literatura é a Bíblia, escrita por vários autores com o intuito de oferecer às pessoas uma melhor compreensão de si e do mundo a fim de melhorar suas vidas.

Atualmente, Paulo Coelho é o escritor de maior destaque nessa sessão, contando com cerca de 65 milhões de leitores em todo o mundo. É conhecido como o escritor mago pela referência à magia e à espiritualidade em quase todas as suas obras. Seus títulos mais conhecidos são ‘Diário de um Mago’, ‘Brida’ e ‘O Alquimista’.

Os livros de auto-ajuda ainda sofrem bastante preconceito pela classe ‘intelectualmente esclarecida’ e constituem o alvo de muitas críticas devido à precariedade de argumentações e conhecimentos na maioria dos textos. Paulo Coelho, como um dos maiores escritores desse tipo de literatura, é também um dos mais criticados.

O problema não é que esses títulos atinjam um grande índice de vendas, mas que vender seja o principal objetivo. Assim, os livros de auto-ajuda acabam se tornando uma verdadeira ‘Operação Tapa Buraco’ que utiliza de um otimismo artificial com intenções puramente mercadológicas e que não resolvem problema nenhum.

Marcadores: ,

::comente:: |

Literatura cor-de-rosa

domingo, 8 de julho de 2007 por Beatriz Jucá

 


A busca pela fantasia e a capacidade se sonhar são os ganchos para a venda.


Os chamados romances de banca chegaram ao Brasil no século XIX, sendo traduzidos primordialmente do francês e constituídos de muitas lágrimas e dramas. Acompanhavam a valorização da beleza e doçura feminina dos contos de fadas e mostravam o homem com superioridade física, econômica e social, se tornando febre entre as moças brasileiras no final da década de 70.

Entre os fatores responsáveis por todo esse sucesso, estavam a facilidade de leitura e os preços acessíveis dos folhetos. Além disso, esse tipo de romance era a única fonte de informação, para as jovens, sobre sexo no início dos anos 80. Destinados às moças e mulheres com grandes jornadas de trabalho, os enredos sentimentais se tornaram uma espécie de escape. Eles apresentavam a elas novas oportunidades de sonhar.

Voltada mais para o lazer que para a arte, a literatura para as moças consistia na variação de um modelo de história, e não na ruptura. Era sempre uma mocinha pobre que encontrava um rapaz rico numa viagem e os dois se odiavam até se descobrirem profundamente apaixonados. Tinham também um vilão, e as cenas de sexo eram relatadas sutilmente, talvez pela época. Era sabido também que a mocinha e seu príncipe seriam felizes para sempre, mas o que importava para as leitoras era como eles conseguiriam ficar juntos.

Os romances sentimentais difundem um ideal de comportamento para que as mulheres fossem aceitas e queridas socialmente. Feiúra ou beleza artificial eram características que competiam às anti-heroínas, sempre más.

Entre as séries mais famosas dos romances de bancas, estão Sabrina (mais romântica e com sexo light), Júlia (mulher madura e independente), Bianca (casamento com humor) e as novas Mirella e Sabrina Sensual (mais apimentadas).

Se as leitoras americanas preferem expressões mais explícitas nas cenas de sexo, as brasileiras reclamam do uso de termos chulos. Elas optam por um tom mais místico nas narrações do ato de amor, o que requer um maior cuidado durante a tradução.

Ainda hoje, séries como Júlia e Sabrina vendem em torno de dois milhões de exemplares por ano e podem ser encontradas em bancas de revistas e sebos. Paralelamente, existe o sistema de trocas dos números mais antigos. O preço das edições atuais desses folhetins varia em torno de cinco e doze reais.

Marcadores: ,

::comente:: |

A literatura é sua festa, sua música, sua dança e seus 80 anos.

domingo, 17 de junho de 2007 por Beatriz Jucá

 

Escrever sobre literatura brasileira sem dedicar algumas linhas ao intelectual Ariano Suassuna teria o mesmo efeito de falar de Canudos sem citar Antônio Conselheiro. Assumindo um caráter cada vez mais nacionalista, o autor da famosa obra O Auto da Compadecida acabou se revelando um ícone na defesa da cultura brasileira e da literatura nordestina.

Escolhendo a poesia como primeiro gênero literário para a vasta produção que viria, Suassuna se destacou não só na literatura, como também no teatro e na arte. Foi professor de disciplinas como Estética e Cultura Brasileira, se consagrando como um gênio da cultura popular ao idealizar um movimento em prol da arte local, em 1970.

Enquanto muitos artistas tentavam se adequar à Ditadura Militar, Ariano não só mantinha suas idéias, como executava o Movimento Armorial em Recife, cujo objetivo consistia na criação de uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro.

Considerado único, Suassuna cria sua própria estética na produção do Romance d’A Pedra do Reino, que transcende um misto de poema, romance, crônica e sátira. E desse misto, vale salientar o aspecto de crônica, conseguido através do relato de casos supostamente históricos, como, por exemplo, a referência à morte de João Dantas, assassino de João Pessoa, no momento anterior à Revolução de 1930 e que acarretou a morte de seu pai, então Governador da Paraíba.

Tendo o sistema televisivo como um dos principais instrumentos de divulgação do seu trabalho, o escritor paraibano não se opõe à televisão, mas discorda com relação à falta de prioridade aos programas culturais e à ausência de uma visão mais crítica do telespectador. Afinal, a tevê não é somente arte, bem como entretenimento e noticiário.

Trata-se de um homem que lê de tudo. Um homem que utiliza diversos folhetos de cordéis e famosos romances publicados como inspiração e fonte de aprendizado. Um escritor que usa a sabedoria adquirida para compor uma arte graciosa e repleta de sonhos, poesias, lembranças, tradições, comédias e tragédias. Tudo isso com uma dosagem surpreendentemente harmoniosa de elementos literários e populares.

Foi esse literato que teve seus 80 anos comemorados por todo o país em 16 de junho de 2007. Foi ao recriador da cultura popular que os maiores jornais do Brasil quiseram homenagear na última semana. É esse intelectual que continua sua luta para evitar a descaracterização e vulgarização de sua cultura com a veia contraditória que sempre o acompanhou.

Marcadores: ,

::comente:: |

A Menina Poema

domingo, 27 de maio de 2007 por Beatriz Jucá

 


A literatura, sendo a arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou verso, é uma forma de comunicação e compartilhamento de idéias e histórias. Portanto, não poderia ser excluída de um blog cujo intuito é discutir uma forma de se comunicar de maneira alternativa e independente. E como nós não perdemos tempo, escolhemos para a primeira pauta desta seção mostrar o trabalho de Rita Apoena, escritora que teve os seus textos divulgados primordialmente em um diário eletrônico e hoje tem fãs em vários estados do Brasil.

Rita conquistou um considerável número de leitores com suas metáforas e seu ‘jornal das pequenas coisas’. Usando uma linguagem simples e singela, consegue mostrar a vida como você deixou de perceber. Seus dedos transbordam poesia, e os seus poemas exalam seu amor pela natureza, bem como sua crença em um mundo melhor.

Rita Apoena cursou dois anos de Letras na USP, trancou a matrícula e resolveu estudar fotografia no Centro Universitário Senac, onde diz ser o tempo todo estimulada a criar e encontrar sua própria linguagem. Nas linhas que seguem, a doce poetisa fala sobre literatura e a sua forma de fazer poesia.

Quando/como surgiu o interesse pela poesia?
Desde sempre. Das lembranças que tenho da infância, percebo que eu via as coisas de um jeito muito parecido como as que eu vejo hoje. Eu me alfabetizei cedo e por iniciativa própria porque precisava escrever meus poeminhas, quase todos sobre passarinhos em gaiolas. Eu tinha esperança de que as pessoas grandes lessem e não fizessem mais aquilo. Era algo que me tirava o sono, assim como o desmatamento da Amazônia, a extinção dos animais, a fome no mundo etc. A gaiola foi a minha primeira percepção de injustiça e, por conta dela, eu passei a escrever. Como podem ver, comecei com uma literaturazinha totalmente panfletária.

Você pode dizer que a literatura que você faz foi influenciada por algum escritor em especial? Por quê?
Até hoje, não sei dizer a diferença entre influência e identificação. Eu gostaria muito de ser influenciada por Herberto Helder, que é meu poeta preferido. Ou Drummond. Ou Raduan Nassar. Mas nem se eu tentasse a vida inteira, eu seria capaz de escrever como eles. Já o Mário Quintana, desde o primeiro instante que li, foi imediata a identificação. Aliás, o Mário Quintana foi o meu Brad Pitt da adolescência e, quando ele morreu, eu fiquei tão deprimida como se tivesse perdido alguém da própria família. Quiçá, do mesmo planeta. Quando ele morreu, eu me senti muito sozinha.


Como você definiria os seus textos e a sua maneira de fazer literatura?
Eu acho que são simples e despretensiosos, só isso.

O leitor, ao apreciar os seus textos, muitas vezes consegue sentir o seu prazer pela escrita, bem como a sua vontade de viver dela. Qual a sua perspectiva em viver de literatura em um país onde a leitura ainda é precária?

Não tente em casa ou longe de algum adulto (risos). Bem, tenho a meu favor um imenso desapego às coisas materiais. Percebi que a diferença entre ter muito dinheiro e pouco dinheiro é que você compra muitas ou poucas coisas, respectivamente. Claro, além do essencial que todo ser humano tem (ou deveria ter) o direito. Por exemplo, tenho um celular que, quando tiro da bolsa, meus amigos fingem que não me conhecem (risos). Mas está funcionando, ora! Por que vou comprar um celular sem tampa, depois um que abre a tampa, depois um que desliza a tampa, depois um com tampa mágica se o mesmo celular vai me deixar feliz toda vez que um amigo me ligar? Então, eu não tenho ilusão alguma de ganhar dinheiro fazendo (ou tentando fazer) literatura.

A divulgação e publicação do seu trabalho foram feitas somente através da Internet? Como começou todo esse sucesso?
Em 1998, eu criei um diário na Internet, feito em html e atualizado no Front Page. Mostrei apenas a alguns amigos muito íntimos. Foi assim que começou: por culpa de alguns amigos línguas-grandes, que não sabiam guardar segredos. E continua assim, desde então. Um gosta e conta para o outro, eu acho intrigante.

Até que ponto você acha que o surgimento dos blogs e da comunicação alternativa em geral pode influenciar a literatura? Tanto a produção como a leitura?
Assim como surgiram os romances de folhetim, no início do século XIX, eu acho que os blogs de hoje podem dar uma nova roupagem à produção literária atual. No meu caso, o formato blog foi mais do que decisivo nas minhas escolhas. Eu pensei: puxa, ler nesse monitor é muito chato. Eu tenho de encontrar um jeito de dizer tudo o que eu quero dizer em pouquíssimas linhas. E assim fui limando tudo o que eu escrevia, até chegar ao miolo.

Pode-se observar, via Internet mesmo, que o seu número de leitores cresce a cada dia, como você se sente com tudo isso?
Perplexa. Eu juro que não entendo o que tanto o pessoal enxerga nos textos! Daí, eu mesma começo a virar o texto de todos os lados, olho daqui, olho dali, viro de bundinha para cima, ergo o bracinho, fico tentando achar alguma explicação. Eu ainda acho que nem é por conta das palavras que eu escrevo, mas porque sou um pára-raio de gente maravilhosa. Tenho leitores que me acompanham desde o comecinho na Internet, desde os tempos da escola, outros vão chegando e ficando, é assim. Nem é Literatura, é uma grande amizade.

Rita Apoena deverá lançar seu livro até o final do ano. Segundo a autora, ‘É um livro pequeno, de poucas páginas, embora eu esteja escrevendo há quase dois anos. As teclas que eu mais uso são: delete e backspace. Existem duas versões do mesmo livro. Uma, feita para as crianças pequenas, conta com as ilustrações da minha amiguinha Liège, de seis anos. A outra versão, feita para as crianças grandes, tem as ilustrações do meu querido amigo Jay, do Yolk's Yogurt’.

Você pode encontrar a poesia de Rita em
http://ritaapoena.zip.net/index.html.

*Ilustração: Jovan de Melo (Jay), em
http://fotolog.com/yolks_yogurt.

Marcadores: ,

::comente:: |

:: o blog ::

  

Um blog mantido por estudantes de Comunicação da Universidade Federal do Ceará. O tema do blog é a comunicação em si. Uma abordagem informal sobre as principais formas de comunicação social.

 

 

:: conversa fora ::

 


 

:: colunas :: 

 

:: recentes ::

 

 

:: arquivo ::

 

 

:: links ::

 

 

 

 

los casinos online